Planejando Setembro: Como Estou Organizando Meu Mês com Mais Bem-Estar e Intenção
Setembro está começando e, como faço a cada novo mês, chegou a hora de parar um pouco e organizar as próximas semanas.
Gosto de planejamento. Mas, para mim, planejar o mês nunca foi simplesmente preencher uma agenda com tarefas, compromissos e metas.
Quanto mais estudo e trabalho com bem-estar, organização e produtividade, mais percebo que um bom planejamento precisa começar olhando para a vida antes de olhar para o calendário.
Porque posso ter um mês extremamente produtivo e, ainda assim, terminar cansada, distante das pessoas que amo, sem cuidar da saúde ou com a sensação de que passei os últimos trinta dias apenas resolvendo coisas.
Por isso, quando começo meu planejamento mensal, existe uma pergunta que gosto de manter por perto:
Como quero viver este mês?
É a partir dela que começo a organizar setembro.
Antes de pensar em setembro, olho para o mês que terminou
Meu primeiro movimento não é decidir novas metas.
É olhar para agosto.
Faço uma revisão simples do que aconteceu: aquilo que avançou, o que ficou pendente, o que funcionou bem e o que acabou exigindo mais energia do que eu imaginava.
Também procuro perceber como vivi aquele período.
Minha rotina esteve muito carregada?
Consegui manter os cuidados que considero importantes?
Houve espaço para descanso, família, lazer e interesses pessoais?
Alguma área da minha vida acabou ficando esquecida?
Essa pequena revisão ajuda a evitar aquela sensação de que todo primeiro dia do mês representa uma vida nova.
Setembro não começa do zero.
Ele começa carregando escolhas, projetos, aprendizados e até algumas pendências de agosto. O importante é decidir conscientemente o que merece atravessar comigo para o próximo mês.
Depois, observo aquilo que já está em movimento
Essa é uma parte importante para mim porque tenho vários projetos e interesses acontecendo ao mesmo tempo.
E uma das armadilhas de gostar de criar coisas novas é justamente querer começar mais coisas antes de terminar ou avançar suficientemente aquilo que já está em andamento.
Por isso, antes de acrescentar novos projetos a setembro, olho para os que já estão ativos.
Quais precisam realmente avançar neste mês?
Existe alguma entrega importante?
O que quero concluir?
O que simplesmente precisa continuar caminhando?
E o que pode esperar?
Essa última pergunta é tão importante quanto as outras.
Planejamento também é escolher o que não receberá nossa energia agora.
Já falei sobre essa relação entre escolha e direção em Como Definir Prioridades e Saber o Que Realmente Importa. Quando tudo parece importante ao mesmo tempo, nossa energia acaba sendo distribuída entre tantas coisas que temos dificuldade para avançar justamente naquelas que mais importam.
Então olho para a minha vida como um todo
Só depois dos projetos faço um movimento que considero essencial: amplio o olhar.
Porque quando o foco é o bem estar alinhado à produtividade, eu não sou apenas aquilo que preciso produzir.
Tenho um corpo para cuidar.
Uma vida emocional.
Uma família.
Relacionamentos.
Uma vida espiritual.
Interesses e coisas que quero aprender.
Um trabalho e projetos profissionais.
Momentos que quero simplesmente desfrutar.
Por isso, observo diferentes áreas da minha vida e tento perceber quais estão bem e quais estão pedindo um pouco mais de atenção neste momento.
Não significa criar uma meta para cada uma delas.
Imagine começar setembro com seis ou sete novas metas de bem-estar além de todos os outros compromissos. Seria uma maneira bastante eficiente de transformar autocuidado em sobrecarga.
Prefiro pensar como um radar.
Em determinado mês, minha saúde física pode precisar de maior atenção. Em outro, talvez seja minha vida profissional. Pode existir um período em que a família precise mais de mim ou uma fase em que eu queira reservar mais espaço para estudar, descansar ou fortalecer minha vida espiritual.
É justamente essa possibilidade de ajuste que torna o planejamento mais conectado à vida real.

O que quero priorizar em setembro?
Depois desse olhar mais amplo, começo a chegar às escolhas concretas.
Em vez de criar uma lista enorme de coisas que gostaria de fazer, procuro definir poucas prioridades para o mês.
Algumas estarão relacionadas aos meus projetos profissionais.
Outras podem envolver saúde, família, estudos ou alguma necessidade específica deste momento.
E gosto de incluir uma dimensão que muitas vezes desaparece dos planejamentos tradicionais:
o que quero viver.
Nem tudo aquilo que torna um mês significativo produz uma entrega.
Um passeio em família não gera uma tarefa concluída.
Encontrar uma amiga não aumenta produtividade.
Uma manhã tranquila não aparece em nenhum relatório.
Uma viagem, uma comemoração, um almoço especial ou algumas horas dedicadas a algo de que gostamos podem, no entanto, estar entre as melhores lembranças daquele período.
Se essas experiências fazem parte da vida que quero construir, elas também merecem espaço.
Esse é um dos pontos em que planejamento e bem-estar se encontram para mim.
Organizar o tempo não deveria servir apenas para garantir que as obrigações caibam na agenda. Também deveria ajudar a proteger aquilo que não queremos que desapareça dela.
O que quero continuar cultivando?
Também olho para os hábitos e rotinas que já estou construindo.
Aqui tento resistir àquela empolgação típica de início de mês:
“Agora vou começar tudo!”
Nova rotina de exercícios.
Nova alimentação.
Novo horário para acordar.
Nova organização.
Novo livro.
Novo curso.
Novo projeto.
Em poucos dias, a vida real aparece e aquele planejamento maravilhoso começa a desmoronar.
Por isso, minha pergunta para setembro é muito mais simples:
O que já faz sentido e eu quero continuar sustentando?
Alguns hábitos precisam apenas continuar.
Outros talvez precisem de pequenos ajustes.
E, se houver algo novo que realmente faça sentido introduzir, prefiro fazer isso de maneira consciente.
Tenho cada vez mais interesse nessa diferença entre começar e conseguir continuar. Foi justamente por isso que escrevi Como Construir Hábitos que Permanecem Mesmo Quando a Motivação Acaba.
O resultado que buscamos raramente está na empolgação dos primeiros dias.
Está naquilo que conseguimos levar conosco depois que a novidade passa.
Agora, sim, tudo começa a chegar à agenda
Depois de olhar para o mês dessa maneira, fica muito mais fácil organizar as semanas.
Os projetos prioritários precisam se transformar em entregas.
As entregas precisam virar ações.
Algumas ações recebem prazo.
Compromissos entram no calendário.
Hábitos encontram espaço na rotina.
E aquilo que quero viver também precisa aparecer de alguma maneira.
Não gosto de ocupar todos os espaços disponíveis.
Uma agenda completamente preenchida pode parecer organizada no papel, mas basta um imprevisto para que tudo comece a competir.
A vida precisa de margem.
Por isso, tento deixar algum espaço para ajustes, cansaço, mudanças de planos e acontecimentos que simplesmente não conseguimos prever.
Planejamento, para mim, funciona melhor quando oferece estrutura suficiente para orientar sem transformar cada dia em uma sequência rígida de obrigações.

E assim começo setembro
Não sei exatamente como este mês acontecerá.
Posso planejar minhas prioridades, organizar projetos, cuidar dos meus hábitos e reservar tempo para aquilo que considero importante.
Ainda assim, setembro certamente trará coisas que não estavam na agenda.
E está tudo bem.
Meu planejamento não precisa prever a vida.
Precisa apenas me ajudar a não atravessá-la no automático.
Quando olho para setembro dessa maneira, a pergunta deixa de ser apenas:
“O que preciso fazer neste mês?”
E passa a incluir outras:
O que quero cuidar?
O que precisa avançar?
O que quero preservar?
O que pode esperar?
E o que gostaria de viver?
Talvez essa seja a maior diferença entre preencher um calendário e planejar um mês com intenção.
No final de setembro, claro que quero olhar para trás e perceber que meus projetos avançaram e que algumas coisas importantes foram realizadas.
Mas também quero reconhecer que houve saúde, presença, aprendizado, relações, momentos bons e espaço para aquilo que dá significado aos dias.
Porque uma vida bem organizada não deveria ser aquela em que conseguimos encaixar cada vez mais coisas.
Deveria ser aquela em que aquilo que realmente importa consegue encontrar lugar.
🌺Uma reflexão para levar com você…
Antes de preencher sua agenda para o próximo mês, experimente olhar para a sua vida e perguntar: o que merece receber meu tempo, minha atenção e minha energia agora?
Talvez seu planejamento comece justamente aí.
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