Último Trimestre do Ano: Como Revisar Suas Metas e Planejar os Próximos 3 Meses

Último Trimestre do Ano: Como Revisar Suas Metas e Planejar os Próximos 3 Meses

Outubro chegou e, com ele, aquela sensação um pouco estranha de perceber que o ano entrou na reta final.

Parece que foi outro dia que janeiro começou.

Abrimos o planner, pensamos no que queríamos realizar, estabelecemos metas, fizemos planos. Algumas coisas realmente aconteceram. Outras caminharam mais devagar. Surgiram projetos que nem estavam previstos. Houve imprevistos, mudanças de prioridade, períodos mais produtivos e outros em que simplesmente foi necessário cuidar da vida como ela estava acontecendo.

E então chegamos aos últimos três meses do ano.

É justamente nessa época que começa a aparecer uma pressão conhecida: “Ainda dá tempo.”

Ainda dá tempo de cumprir aquela meta. Ainda dá tempo de colocar o projeto em dia. Ainda dá tempo de começar o que foi adiado.

Sim, três meses ainda representam uma parte importante do ano. Mas eu não gosto da ideia de transformar outubro, novembro e dezembro em uma corrida para compensar tudo aquilo que não aconteceu nos nove meses anteriores.

Antes de pensar em acelerar, prefiro outra pergunta:

O que ainda merece receber meu tempo e minha energia neste ano?

Para mim, essa é uma forma muito mais interessante de começar o último trimestre.

Antes de revisar suas metas, revise a vida que aconteceu

Em muitos planejamentos, a revisão começa pela lista de metas: o que foi concluído, o que ficou pendente e o que ainda precisa ser feito.

Eu prefiro começar um pouco antes disso.

Antes de olhar para o que falta realizar, gosto de olhar para a vida que aconteceu — e para a pessoa que chegou até aqui.

Quando fazemos um planejamento anual, estamos tentando imaginar o futuro a partir da pessoa que somos naquele momento. Em janeiro, tomamos decisões com as informações, necessidades e circunstâncias que temos em janeiro.

Só que a vida continua acontecendo.

Nove meses depois, algumas coisas mudaram.

Por isso, antes de recuperar sua lista de metas, faça uma revisão mais ampla.

O que mudou em você nesses meses? O que hoje ocupa um lugar diferente na sua vida? O que passou a ter mais significado? Que área está pedindo mais atenção? E o que aconteceu de importante neste ano sem sequer estar previsto no planejamento?

Essa última pergunta é especialmente importante.

Às vezes avaliamos nosso ano apenas comparando a vida que aconteceu com a lista que escrevemos em janeiro. Tudo aquilo que não estava previsto desaparece da avaliação.

Por exemplo, esse ano foi o primeiro ano escolar da minha filha e como consequência disso, foi (e ainda está sendo) um ano muito desafiador em termos de saúde, pois as viroses – próprias dessa fase da vida – vieram com tudo. E com isso, muita coisa precisou ser reformulada ou adaptada na minha propria rotina.

E isso, definitivamente, não estava “previsto” no meu planejamento anual quando o fiz no final do ano passado.

Só que a vida não acontece dentro de uma lista de metas e tarefas exatas.

E é aqui que gosto de olhar para o bem-estar de forma integral. Saúde física, emoções, relações, desenvolvimento intelectual, espiritualidade e vida profissional fazem parte da mesma vida. Antes de decidir o que precisa ser feito, vale perceber como estamos vivendo.

Isso não significa criar uma meta para cada área.

Olhar para todas as áreas da vida não significa agir sobre todas elas ao mesmo tempo.

Algumas podem estar bem e precisar apenas de manutenção. Outras podem estar pedindo cuidado. Uma delas pode estar claramente mostrando onde sua atenção é mais necessária agora.

Para uma mulher que já administra tantas responsabilidades, transformar o bem-estar em mais uma lista enorme de coisas a fazer seria justamente o contrário do que buscamos.

Antes de pensar no que falta, reconheça o que já floresceu

Existe uma tendência curiosa quando chegamos ao último trimestre: nosso olhar vai imediatamente para o déficit.

O que não fiz. O que não concluí. O que ficou para trás.

Mas nem todo avanço aparece como uma meta riscada no planner.

Pode ter sido uma decisão que exigiu coragem. Um limite que você aprendeu a estabelecer. Um hábito que começou a criar raízes. Uma relação que recebeu mais atenção. Um aprendizado importante. Um projeto que ainda não terminou, mas avançou muito.

Há coisas que começaram a florescer neste ano mesmo sem terem chegado a uma linha de chegada.

Antes de decidir o que fará até dezembro, reconheça também aquilo que já foi construído.

Isso não é acomodação. É uma maneira mais justa de avaliar a própria trajetória.

Quando enxergamos apenas o que falta, vivemos com a sensação permanente de atraso. Quando também reconhecemos o que cresceu, conseguimos escolher os próximos passos de outro lugar.

Nem toda meta inacabada precisa ser resgatada

Agora, sim, volte às metas que você estabeleceu no início do ano.

Algumas estarão concluídas. Outras estarão em andamento. E provavelmente haverá aquelas que praticamente não saíram do papel.

Quando encontramos uma meta inacabada, nossa reação costuma ser automática:

“Preciso colocar isso nos próximos três meses.”

Mas por quê?

Porque continua sendo importante?

Ou porque estava escrito na lista de janeiro?

Metas não são contratos que assinamos com nossa versão do início do ano. Elas servem para orientar nossas escolhas e podem ser revistas quando nossas circunstâncias e prioridades mudam.

Algumas continuam importantes e merecem ser retomadas. Outras podem esperar. Algumas precisam ser reformuladas. E há aquelas que simplesmente já podem sair da lista.

Desistir conscientemente de uma meta que perdeu o sentido não é o mesmo que abandonar algo importante por falta de persistência.

Por isso, antes de transportar automaticamente uma meta de janeiro para outubro, pergunte:

Eu ainda quero isso? E isso ainda faz sentido para a vida que estou construindo?

Às vezes, uma das melhores decisões de um planejamento é escolher conscientemente aquilo que não faremos.

O que você ainda quer construir neste ano?

Aqui está uma mudança de perspectiva que considero importante.

Um planejamento mais convencional pode começar perguntando:

“O que ainda consigo realizar até dezembro?”

Eu prefiro outra pergunta:

“O que ainda faz sentido construir até dezembro?”

Quando pensamos apenas em realização, facilmente voltamos para uma lista de tarefas. Quando pensamos em construção, começamos a enxergar a relação entre aquilo que fazemos hoje e a vida que desejamos construir ao longo do tempo.

Algumas metas fazem parte de algo muito maior: construir uma vida com mais saúde, desenvolver uma nova etapa profissional, fortalecer relações importantes, aprofundar a vida espiritual, conquistar mais autonomia ou colocar no mundo um projeto que tem significado.

É o que tenho chamado aqui no blog de nossas Grandes Obras: construções importantes que não cabem necessariamente em uma única meta ou em um único ano.

Então, ao escolher aquilo que merece avançar até dezembro, acrescente uma pergunta:

A que construção maior da minha vida isso serve?

Você pode descobrir que cinco metas aparentemente importantes servem à mesma construção — e que não precisa realizar as cinco agora.

Escolher uma ou duas prioridades pode produzir muito mais avanço do que carregar uma lista enorme até o final do ano.

Seu planejamento precisa caber também na sua energia

Agenda e prazo são importantes, mas não contam a história inteira.

Tempo não é nosso único recurso limitado. Energia também é.

Depois de meses de trabalho, responsabilidades, decisões e demandas acumuladas, muitas pessoas chegam a outubro cansadas e planejam os meses seguintes como se estivessem começando janeiro com energia renovada.

Antes de assumir novas metas, observe sua vitalidade.

O que está drenando sua energia neste momento? O que ajuda a recuperá-la? Quanto de disposição as prioridades escolhidas exigirão?

Um planejamento pode caber perfeitamente no calendário e não caber na pessoa que terá de vivê-lo.

Por isso, além de perguntar “Tenho tempo para isso?”, vale perguntar:

“Tenho energia para sustentar isso neste momento?”

Para mim, planejar não é organizar tudo o que ainda precisa ser feito. É decidir conscientemente o que merece receber nossa energia porque faz parte da vida que queremos construir.

O que realmente cabe entre outubro e dezembro?

No calendário, temos aproximadamente noventa dias.

Na vida real, não exatamente.

Outubro ainda costuma preservar um ritmo mais próximo dos meses anteriores. Novembro começa a trazer feriados, encerramentos e preparativos. E dezembro tem uma dinâmica própria: confraternizações, compromissos familiares, férias escolares, compras, viagens, celebrações e fechamento das atividades profissionais.

Por isso, se alguma coisa é realmente importante para você neste ano, outubro é um ótimo momento para colocá-la em movimento.

Justamente porque ainda existe espaço para avançar sem correria.

Pode ser marcar uma consulta que vem sendo adiada, retomar uma atividade física, iniciar uma conversa importante, dar o primeiro passo de um projeto ou resolver uma pendência que ocupa espaço mental há meses.

E aquilo que não cabe?

Pode continuar.

O encerramento do calendário cria uma espécie de fronteira imaginária, mas a vida não reinicia em janeiro.

Existem projetos que atravessam anos, hábitos que continuarão sendo construídos, decisões que precisam amadurecer e objetivos que continuarão fazendo sentido depois da virada do calendário.

Por isso, além de perguntar:

“O que quero concluir até dezembro?”

acrescente:

“O que quero deixar encaminhado para começar o próximo ano de um lugar melhor?”

Você pode não concluir um grande projeto, mas deixar uma etapa importante pronta. Pode não realizar uma mudança profissional completa, mas tomar uma decisão e preparar os próximos passos. Pode não transformar sua rotina inteira, mas estabelecer uma prática que deseja continuar cultivando.

Nem todo avanço precisa terminar em uma linha de chegada.

Alguns avanços servem para preparar o caminho.

Como você quer chegar ao final deste ano?

Pensamos muito sobre o que queremos ter concluído até dezembro.

Mas e sobre como queremos chegar lá?

Exausta? Correndo? Tentando encaixar tudo nas últimas semanas?

Ou com a sensação de que conseguiu direcionar sua energia para aquilo que realmente importava?

Seu ano não precisa ser salvo nos últimos três meses. Ele já aconteceu — com realizações, mudanças, dificuldades, aprendizados e caminhos que você nem imaginava quando janeiro começou.

Isso não significa desistir do que ainda deseja realizar.

Significa compreender a diferença entre usar bem o tempo que ainda temos e tentar recuperar o tempo que passou.

Quando pensamos em planejamento dentro de uma perspectiva de bem-estar, essa diferença importa.

Porque produtividade não deveria significar apenas realizar mais coisas.

Planejar também pode ser uma forma de proteger aquilo que valorizamos: saúde, relações, descanso, presença, propósito e nossa própria capacidade de continuar construindo.

Ainda há tempo para começar algumas coisas, concluir outras, mudar decisões, reconhecer o que floresceu e preparar aquilo que continuará no próximo ciclo.

Sem transformar os próximos meses em uma corrida.

Por isso, antes de escrever sua próxima lista, experimente terminar sua revisão com uma pergunta mais ampla:

Como quero viver os meses que ainda restam deste ano?

A resposta pode orientar suas escolhas muito melhor do que uma longa lista de metas atrasadas.

🌺 Uma reflexão para levar com você…

O fim do ano não precisa ser uma corrida para alcançar tudo aquilo que ficou para trás. Pode ser uma oportunidade de reconhecer o que já floresceu, escolher o que ainda merece ser cultivado e seguir construindo, com mais consciência, a vida que faz sentido para você.

Antes de fazer novos planos, volte por alguns minutos ao início do ano.

Reconheça o caminho percorrido. Observe como estão as diferentes áreas da sua vida. Reavalie suas metas. Perceba sua energia. Escolha poucas prioridades e permita-se deixar para trás aquilo que já não precisa caminhar com você.

E quero deixar uma pergunta:

Se pudesse escolher apenas uma coisa realmente importante para avançar até o final deste ano, o que você escolheria — e o que essa escolha ajuda a construir na sua vida?

Se quiser, conte nos comentários. Colocar essa resposta em palavras já pode ser uma forma de começar.😉

🪴 Continue sua jornada

Planejamento Trimestral: Como Revisar Metas e Reorganizar a Vida para o Próximo Ciclo — para estruturar de maneira mais completa o planejamento dos próximos três meses.

Como Definir Prioridades e Saber o Que Realmente Importa — para aqueles momentos em que tudo parece importante e escolher se torna a parte mais difícil.

Quais São as Grandes Obras que Você Está Construindo na Sua Vida? Um Novo Jeito de Planejar com Propósito — para olhar além das metas isoladas e refletir sobre aquilo que você realmente deseja construir ao longo da vida.

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